Prosa

 

Prosa de Natal

O comércio está cada vez mais se adonando do Natal. Primeiro foi Papai Noel que foi posto num lugar mais importante do que o aniversariante verdadeiro: Jesus!

Quase ninguém fala do nascimento do Filho de Deus, só lembram de tentar pôr na cabeça das crianças que Papai Noel existe, que ele vai trazer presentes pelo bom comportamento e que ele vê tudo o que os pequenos fazem durante todo ano. Uma época comercial demais em vez de ser espiritual. Agora, a Sadia quer instituir que, em 1 de Dezembro, seja o dia de montar a Árvore de Natal quando na verdade, sempre se montou a árvore em 8 de Dezembro, dia de Nossa Senhora da Conceição e sempre se desmontou em 6 de Janeiro, dia de Reis. Acho que a Sadia não foi legal... muito comercial... adeus perú com s...

 
 

As puras e impuras sutilezas dos traços de uma mãe

 

Falar de mãe é muito fácil e/ou muito difícil, usar palavras estabelecidas, um caos. Mas a gente tenta, afinal, tem mãe nesse meio.

Coração de mãe é sempre fiel e não há no mundo, beleza maior do que a alegria do nascimento de um filho para uma mulher. Pode ser que ela venha a bater no filho quando ele precisar apanhar mas a palavra final será amável e cheia de amor como que pedindo perdão por ter perdido a paciência com o seu rebento.

Mas, o que falar de uma mãe? São tantas coisas. Mãe é o início da nossa história, nascemos sendo parte da biografia dela. Seu dna ou seu criar. Temos as mães adotivas que por vezes, nem lembram que adotaram seus filhos de tanto amor dedicado. Mãe, pode ser uma ponta de cigarro na calçada, se fica triste por perder um filho. É assim que ela se sente, uma ponta. Insuspeita ponta de cigarro na calçada.

Mãe é a galinha, a vaca, a cadela, a porca, a baleia, a girafa, a zebra, a rica, a pobre, a feliz, a quase infeliz (mãe é sempre alegre, afinal, ela teve você), a louca de pedra e a zen, com cara de pudim de claras, mãe é um doce e tudo que você tem a fazer é sempre agradecê-la por ter te carregado na barriga ou no colo no tempo em que você precisou. Mãe é a quebra da barreira do som, ela ouve o neném chorando mesmo quando ninguém ouviria. Criatura divina. E isso tudo, não basta para definir e resumir o tempo em que uma mulher ofereceu parte de sua vida para uma outra vida e assim sucessivamente. Pelos têrmos grosseiros, palavras bonitas ou ofensivas, peço desculpas mas não me arrependo. Tudo o que sei de uma mãe é que, a minha não me decepcionou. Deu-me a esperança de um dia melhor e sofreu perdendo dois filhos, ficando com os cabelos completamente brancos em uma semana depois de receber a notícia da morte de meu irmão. Parecia que a cor negra dos seus cabelos era o filho que ela mais amava e que partiu. Não tenho filhos mas tenho uma mãe maravilhosa que fez com que eu tivesse coragem para viver e subir as mais íngremes montanhas. Eu acredito na força do cordão umbilical que prende uma mulher ao seu filho e nesse cordão não passa só alimentos, passa energia, amor, felicidade e lágrimas. Cordão umbilical tem muita história e muita esperança. Bendito cordão de cada um de nós.

Quer saber? Que me desculpem os puritanos, mãe é uma foda bem dada com direito a cigarro depois!

Mônica Banderas

 
 
Agradecendo pelo café da manhã
 

Outro dia, ao agradecer a Deus,  pelo café da manhã de cada dia, resolvi agradecer também, a todos os envolvidos nessa batalha. Comecei agradecendo pelo pão, pelo café, pela manteiga, pela água do café, pelo pó de café, pelo açúcar, pelo copo, pelo trigo, pela cana de açúcar, pelo sal, pelos envolvidos na fabricação do pão, pelo plantador de trigo, pelo colhedor, pelo padeiro, pelo caminhoneiro que transportou o trigo, pelos ajudantes desse caminhão, pelos fabricantes dos sacos que embalam o trigo, pelos embaladores, pelas famílias que cuidam desses funcionários, pelo dono da padaria, pelos funcionários que estão, ainda de madrugada, preparando tudo para eu ter meu pão, pelo plantador de café, pelos funcionários que transformam os grãos em pó, pelo criador da embalagem, pelo envasador do pó, pelos operadores das máquinas, pela firma, pelo escritório de contabilidade que montou essas firmas, pela manteiga, pelos seus fabricantes, funcionários e etc, pela vaca que deu o leite, pelo dono dessa vaca, pela terra, onde essa vaca pisa, pelos nutrientes, rações, vermífugos, vitaminas e cuidados necessários para que esse animal seja sadio, pelo veterinário responsável, pelo pião que tira o leite, pelo vasilhame que recebe o líquido, pelos responsáveis em retirar o estrume da vaca do local onde ela vive e pasta, pelo cara que alimenta e dá água para essa vaca, pela disposição desse pião para levantar quando muita gente está no primeiro sonho, em ordenhar esse animal para que, na hora certa, o meu simples café, pão e manteiga, açucar, copo/xícara estejam nas minhas mãos.

 

E se fosse continuar, agradeço pelo fogo, pelo gás, pela água, pelo tratamento da água, por todos os envolvidos nas construções de dutos, canos e etc. Se continuasse, meu café iria ficar gelado. Isso tudo me fez refletir, que somos dependentes uns dos outros em todo o tempo, o mundo existe, pela troca de favores e serviços.

 

Agradeço a Deus, pela vida que tenho, pelas pessoas que fazem com que eu possa continuar a viver nesse meu ritmo e por lembrar-me de que não posso ser nada sem os outros.

 
 

Batendo pra cair, a violência sem espanto

 

 

Não existe o lado da cara certo para se bater, apanhar na cara dói e causa vergonha como em nenhuma parte do corpo. Afinal, é na cara da gente que estampamos o nosso melhor ou pior. Como pode alguém, detonar com o mural principal da embaixada humana?

 

Na cara de ninguém se bate, já dizia minha avó, centenária.

 

E essa forma violenta de se comunicar, sim, bater também é comunicar-se - vai dizer que não? -  faz com que o indivíduo, receba a resposta que ele vem procurando a vida toda: por que sou tão sem importância? tão invisível? O cara bate e recebe de volta um tapa ou um choro. Conseguiu uma resposta para sua infame crise existencial. Afinal, quem será essa massa de carne e ossos que se move pelo  mundo e que se morresse amanhã ninguém sentiria falta? O louco, desvairado e violento  ser que chega perto de alguém com a intenção de desmerecê-lo está mais morto do que vivo.

 

E essa violência está bem colada em todos nós. O motorista que atropela e mata diversas pessoas e paga uma fiança e vai pra casa descansar, é um criminoso igual a qualquer outro pois destituiu uma ou mais pessoas do privilégio de viver. Porém, a lei difere de formas de matar para formas de matar. Deve ser porque atropelado não sente a mesma dor de quem leva um tiro, é esfaqueado, enforcado ou etc.

 

A violência está nos meios todos, de comunicação, social, político, artístico, econômico, religioso, ... Não conseguimos mais divisar o tamanho da tragédia que nos tirou até o espanto. Isso é muito preocupante.

 

Nos fins de semana, as tevês abertas só passam filme de violência, raramente acontece de passar um romance, uma comédia. Os jornais já trazem na primeira capa, as tragédias mais terríveis do dia e por vezes, repetem por semanas, a má nova.

 

As igrejas, cada vez mais, falando de dinheiro, prosperidade e esquecendo de falar de Cristo, de Deus, do Espírito Santo.

 

Estamos à espera do Armagedon.

 

Nas escolas, alunos esbofeteiam professores, matam, humilham e a educação vai por água abaixo. Os pais já não exercem autoridade para seus filhos, perderam o controle das rédeas.

 

A justiça tranca centenas de bandidos, limpa um espaço e outro novo volta a existir. A verdade é que o cheiro de lixo continua a existir, bases não estão sendo preparadas. A educação não está chegando como deveria, as autoridades ainda não conseguiram enxergar que o novo ser humano está sendo tratado como descartável e por assim existir, acaba tratando todos ao seu redor como tal. Quando mães, jogam seus filhos recém nascidos no lixo, estão provando para todos nós, com um baita tapa na cara, que a vida está mais que banalizada.

 

E vemos a violência com os animais, cada história que parece mentira. Mulheres sendo assassinadas por seus maridos na frente dos filhos. O que mais precisamos ver para enxergarmos que a vida no mundo está acabando? Como ser positivo numa cratera de vulcão em erupção?

 

Enquanto a educação não for obrigatória até mesmo para os pais, que na sua maioria largam os estudos para trabalhar e sustentar os filhos, nada vai mudar. Ou o país pega pesado nessa área ou a sociedade vai acabar. Vamos ficar reféns de pessoas que terão o poder das armas, vai acabar o diálogo, a palavra será trucidada.

 

O  Estado deve criar escolas gerenciadas por professores com formação educacional elevada. Uma Pedagogia com noções máximas de Psicologia, Psiquiatria, Educação Física, Religião, Administração e que reúna a família na escola.

Sem educação, nada vai mudar.

 

À vida!

 
 

Sobre livros

 

Eu me acabo em livros. Adoro ler. Quem me conhece me dá livros de presente. Os livros desempenham uma função muito importante na minha vida. Na minha infância, eu não tinha condições de comprar livros, mas eu tinha o meu pai que fazia o impossível para me ensinar a ler e a rezar. Ele contava um monte de histórias de fantasmas, onde o perigo era a noite escura, o vento forte, o gato preto, a estrada no meio da noite, os fazendeiros que faziam trato com o capeta e viravam toco em brasa quando eram denunciados pela polícia por terem cometido algum crime com seus empregados, tinha o delegado que sabia das macumbarias do fazendeiro e que carregava o tição e botava no xadrez e no dia seguinte, o fazendeiro estava lá com os olhos vermelhos, preso e assustado.

Meu pai era um herói, ele não tinha medo de nada e apesar de dizer que não acreditava em Deus, fazia com que os cinco filhos e ele também se ajoelhassem na borda da cama e rezassem o Pai Nosso e a Ave Maria e umas orações que nos ensinava de bônus que eram mais complicadas, tipo, com Deus me deito, com Deus me levanto, com as Graças de Deus e do Divino Espírito Santo. Esse homem plantava, construía e cantava, tocando o seu violão nos finais da tarde. E me ensinou a assobiar. Talvez seja por isso, que quando ouço uma música, identifico a harmonia e se o cara desafina, dói o ouvido.

Mas meu pai também me ensinou a ver horas. Antes de aprender a ler, eu já via as horas e não via a hora de aprender a ler.

Eu saía na rua com minha mãe e pegava folhas de revistas em quadrinhos, revistas que faltavam páginas, que eram jogadas no lixo e ficava imaginando o final das histórias. Até que um dia, eu achei um pedaço de gibi do Pato Donald e vi que era uma história comprida e cheia de roupas bonitas e foi naquele dia que eu cismei que ia aprender a ler. E por um milagre ou desespero, eu vi que já estava sabendo quando li o título da história, Otelo e Desdemona. Para o meu desespero, não tinha o fim naquele pedaço de gibi, achado na rua. Então, eu li essa história sem fim, durante muitos meses pois era o que eu tinha para ler, eu tinha 5 anos. Com o tempo, fui para o colégio, conheci antes de tudo a biblioteca e nunca cheguei ao refeitório pois me acabava em livros. E num Natal, quando eu fiz 12 anos, meu pai saiu comigo até a cidade e entrou na Casa Cruz e comprou um livro que até hoje não me sai da cabeça, era didático e chamava-se O pequeno pesquisador. Eu amava aquele livro e só me separei dele quando saí de casa e deixei de presente para minha irmã que é autista e que ficava deslumbrada com as figuras.

Fui morar com minha madrinha que tinha uma estante recheada de livros e um monte de coleções completas, Machado de Assis, Enciclopédia Barsa, etc mas minha madrinha brigava comigo porque eu lia demais. E por isso, com 14 anos, vivia escondida no banheiro de empregada, lendo. E foi quando descobri que a historinha do gibi era baseada no original de William Shakespeare, Otelo o mouro de Veneza. Leia a história. Um resumo.

 Hoje, tenho 44 anos, um monte de livros meus e no meu quarto, pode-se tirar até a cama que eu durmo mas não deixo que toquem nos meus livros. Emprestar? Empresto mas com tudo anotado para ir buscar onde estiver. Nesse blog, vou pôr a lista dos mil e um livros que eu ainda quero ler. Agradeço a todos os escritores que puseram suas fantasias e conhecimentos em um papel e fizeram com que chegassem em minhas mãos para eu mostrar aos meus olhos, agradeço ao meu pai por ter me ensinado a ouvir e a prestar atenção a tudo. Agradeço a minha mãe e a todos os professores que além de ensinar, incentivam a leitura. 

Agradeço a Deus, por todas as oportunidades.

Mônica Banderas.

 
 
 
 
 

Tantas...

 

Tanto útero, tantas mágoas... a mulher tem 70% de água.

Aos dois anos de idade, caí num barranco e quase me afoguei. Segurei-me numa moita de capim até que um senhor passasse e ajudasse minha mãe a me resgatar. Eu sempre estive na corda bamba mas com uma pilha de colchões embaixo.

Tive vários super-heróis na minha vida mas nenhum deles se comparava ao meu pai. Ele me contava histórias de fantasmas de um jeito que não dava medo, me ensinou a rezar, assobiar, a não temer o tempo que chegava. Ele não gostava de falar de morte, amava viver mas não aguentou um câncer de próstata e no dia de seu aniversário, tomou veneno e morreu. No dia 29 de junho, dia de São Pedro, meu pai entrou e saiu da vida.

Sou dessas pessoas que encaram a vida com um misto de delicadeza e arte.

Em 2010, fiz vestibular para Pedagogia para UNIRIO e passei. Em 2013 parei para entender tudo o que eu realmente queria da vida, tanto acadêmica, quanto pessoal. Estou vivendo os melhores dias da minha vida e espero continuar, cada vez melhor.

Desde 2001 sou protestante, descobri um Deus que ama e mostra o melhor caminho e por esse Deus, quero viver para sempre. Amém!

 

 
 
UouUou, um cachorro muito legal

Pode um cachorro ficar famoso no Brasil e em algumas partes do mundo com um nome de Uou Uou? É,  o nosso ficou conhecido e amado por muita gente com esse nome. Esta foto foi tirada na varanda de casa, enquanto ele me observava cuidando dos outros animais. Meu fofo.

Em junho de 1998, chegou até nós, uma caixa de papelão com três pequenas criaturas dentro. Eram os irmão, depois por nós, nomeados, Leandro, Sula e Leonardo. Três personagens da música sertaneja e todos do bem. Leonardo era o mais peludo, bonito pra caramba, Sula, amarela e de olhos tão vivos que dava vontade de rir do jeitinho dela, Leandro, parecia um lobo, o mais sem graça e o que se tornou o Uou Uou por nos receber falando o próprio nome. Esse cara passou tantas coisas na vida, namorou o bairro inteiro, teve doenças sérias por causa disso, foi operado, voltou melhor que antes, foi agredido covardemente pela vizinha e ficou um mês inteiro sem poder andar. Sobreviveu e continuou a viver do jeito que sempre quis. Urinava no pé da mesa da sala, todo dia, antes de dormir, se esquecêssemos de abrir a porta para ele ir no quintal. Ele fazia amizade facilmente, nunca rosnou para qualquer pessoa, era dócil e amigo.

No dia 6 de setembro de 2010, atacado por filárias (Dirofilariose), um verme condenado transmitido pela picada de mosquito, derrubou o meu amigo. Foram 5 dias sem que pudéssemos fazer nada pois o que fizêssemos só iria fazer sofrê-lo mais ainda. Foi medicado com o que podia e no lugar onde dormia, em meu quarto, morreu depois de 12 anos e 3 meses.

Todos estamos sentindo saudades dele e nunca mais vamos ouvir, ao chegarmos em casa, um uouuou de felicidade.

Enlutados.

 

A mulher Imperial

 

 

Tarde indo embora, noite chegando. Vou sair do Face, tomar um banho e terminar de ler, de uma vez por todas, A mulher Imperial de Pearl S. Buck (estou lendo esse livro desde 1990). Uma vizinha minha, lá de Vila Isabel, dona Dina, decidiu que iria morar num lar de idosos pois achava que morar sozinha num apartamento grande como o dela era perigoso e dispendioso. Ela foi chamando os amigos e deu a cada um as suas delicadezas. Para mim ela deu o livro que ela ganhou de um tio em 1957. É o meu troféu. Em 23 anos, venho lendo aos poucos para não acabar... Acho que vou pro início e ficar nesse devaneio...

 

A minha amiga morreu no mesmo ano, 20 dias antes do Natal. Fui ao lar de idosos, uma semana antes do Natal e quase caí pra trás ao receber a notícia de sua morte. Ela pediu às enfermeiras que não avisassem a ninguém sobre sua morte, não queria velório, nem choro, não aceitava que as pessoas sofressem por coisas que eram rotineiras. Morrer, para ela, era algo que não tinha como fugir. Com as atendentes, fiquei sabendo que a busca pelo lar era porque ela já sabia que tinha poucos dias de vida. Nunca falou sobre isso. Era uma mulher branca, muito alta (1,87), cabelos grisalhos, usava óculos de professora brava, uma pessoa difícil e que não mandava recados. Eu, admirava a sua personalidade e ria quando ela ficava brava. E brigava comigo por eu só viver rindo. Aí, era que eu ria mais. No final, estava ela rindo também. Dona Dina era minha amiga e junto com outra amiga, dona Íris, também falecida, vivi os melhores anos da minha juventude. Essas duas senhoras, me ensinaram muitas coisas. E o que era divino era que dona Dina tinha um grande conhecimento, lia muito, conhecia o mundo, falava vários idiomas e dona Iris, era analfabeta e se recusava a aprender a ler. Teimosa. Eu, coitada, amava ver as duas discutindo e chegando às conclusões mais fantásticas. Terminei de ler a Mulher imperial... emocionada e feliz por ter esse amigo-livro...

 

 

Luto: verdadeiro ou falso?

 

Nas mídias sociais, tornou-se moda, as pessoas aumentarem seus nomes com a palavra luto. Exemplo: Maria de Fátima luto. Não dizem por quem, não explicam nada em suas páginas e a sensação que se tem é que essa pessoa está arrasada e triste. Logo, quem tem juízo nem se aproxima. Já chega de tanta desgraça particular.

O que vem a ser o luto?

“Sentimento humano de respeito e pesar pela morte de outro ser humano”.

“A característica inicial do processo de luto acontece pelas relembranças da perda aliada ao sentimento de tristeza e choro, sendo que a pessoa se consola logo após. Este é um processo que evolui, onde as relembranças são intercaladas com cenas agradáveis e desagradáveis, sem, necessariamente, ser acompanhadas de tristeza e choro. Além destes sentimentos, é comum o estado de choque, a raiva, a hostilidade, a solidão, a agitação, a ansiedade e a fadiga. Sensações físicas como vazio no estômago e aperto no peito podem ocorrer.

A duração deste processo é inconstante e seguido de uma notável falta de interesse pelo mundo exterior. Com o passar do tempo, o choro e a tristeza vão diminuindo e é esperado que a pessoa vai se reorganizando, porém é um processo a longo prazo e os episódios de recaída são comuns. Caso alguém não consiga lidar de uma forma socialmente adequada com a perda por mais de 6 meses, continue em intenso sofrimento e/ou não consiga se reorganizar é considerado um luto patológico e é recomendado que faça psicoterapia.

Existem escalas para medir a gravidade do luto que avaliam fatores emocional, cognitivo, físico, social espiritual/religioso. Um exemplo é a escala proposta por David Fireman: Pensando a respeito da família, o luto pode provocar uma crise na mesma, pois exige a tarefa de renúncia, de excluir e incluir novos papéis na cena familiar. Percebe-se então que existe aí uma complexidade, pois esta crise pode estagnar o desenvolvimento da família, fator que pode definir o processo de luto.

Entre alguns psicólogos é comum se referir as pessoas significativas em processo de luto pela perda de um ente querido como sobreviventes como forma de reforçar positivamente a luta pela sobrevivência diante de desafios difíceis.

Como forma de encarar melhor a morte o psicólogo pode ressaltar o caráter de fim do sofrimento da morte ou mesmo estimular moderadamente crenças religiosas/espirituais positivas independente da religião do indivíduo. Outra possibilidade é associar a morte com um descanso, tranquilidade, paz, retorno para a natureza e parte natural do ciclo da vida.”

 

Essa é a base do luto mas não é o que se vê acontecendo com quem diz estar de luto, na maioria das vezes, nas redes sociais. Mesmo porque, quem está de luto, não gosta nem de falar que está para que nem se fale sobre o tal assunto que trará mais sofrimento ainda. E o que é pior, algumas pessoas que estão de “luto”, parecem que não sabem ou realmente não sentem esse luto pois não deixam de viver a vida da melhor forma possível, a balada não é esquecida, a bebedeira do fim de semana também não, as viagens e festas nem pensar. Quem está de luto sofre como se estivesse doente, nem tem vontade de viver e no fundo o que quer, é encontrar o ente querido que se foi. Porém, se você verificar o álbum de fotos, se impressiona com a quantidade tirada em festas e diversões variadas, pela pessoa que diz estar de luto. Sem noção!

É de profundo mau gosto, alguém dizer que está de luto quando sequer sabe definir e vivenciar essa situação tão pesarosa.

Alguém de luto, veste-se de negro, vive de olhos marejados de lágrimas e se isola de todos. Então, em respeito ao verdadeiro sentido de luto, quem tem essa mania horrorosa de dizer que está de luto só para aparecer, deveria mudar e dizer a quem de direito, no caso para o familiar do morto, um simples, “que você tenha forças para suportar essa dor, sinto muito”. E deixar o morto descansar em paz e sua família também. E se o luto for pessoal, se quem perdeu alguém muito próximo é quem está escrevendo luto após seu nome, não o faça. Dê um tempo nas redes sociais, descanse, componha-se e depois volte ao convívio normal. Não vale a pena, ficar chorando mágoas para o mundo pois a maioria nem percebe sua dor.

 

 

“W.H. Auden, com sua tristeza sem concessões: o sol pode se apagar e o mar secar, diz o poeta, porque nada mais poderá dar certo depois da morte do amado” . Olha a profundidade da dor, a dificuldade de se continuar a viver... Isso é estar de luto, isso é realmente sentir pela falta de alguém. Será que as pessoas que dizem estar de luto estão realmente assim? Por que alguém diz algo que não sente? Para aparecer? Para conseguir mais amigos? Ou por que está na moda? Lamentável as atitudes tomadas. Triste ver que o ser humano está valendo zero.

"Entre os poucos versos da poetisa Safo (século VI a.C.) que chegaram até os dias de hoje, há um fragmento curto mas pungente que fala de uma jovem que morre pouco antes de seu casamento, e das amigas que, conforme o costume grego, cortaram o cabelo em sinal de luto. No século XIII, Dante tratou, em prosa e verso, da morte de sua jovem amada Beatriz em Vida Nova. Ele encerrava essa obra breve prometendo que, em livros futuros, diria de Beatriz "o que nunca foi dito de mulher alguma". Cumpriu o prometido: na Divina Comédia, Beatriz aparece no Paraíso, cercada de luz. No extremo oposto dessa idealização arrebatada, teríamos a poesia de Augusto dos Anjos, brasileiro da virada do século XIX para o XX. Carregados de um bizarro léxico científico, seus poemas centram-se na realidade física da morte. Há um soneto sobre a decomposição do pai do poeta, e outro em que seu filho que nasceu morto aos sete meses de gestação é descrito como um "fruto rubro de carne agonizante"."

 

Manual de etiqueta do luto

Esse talvez seja um dos assuntos mais difíceis de ser tratados. Você deve estar se perguntando, será que ainda nessa hora tenho que me preocupar com etiqueta e elegância? Não é bem isso. Por ser constrangedor, porque a maioria das pessoas não sabe como agir, o que dizer na hora de manifestar seu apoio a quem acaba de perder um ente querido é que resolvemos fazer algumas reflexões sobre o que estamos chamando de manual de etiqueta do luto.

Mais do que ajudar você a encarar com naturalidade esse momento, estamos propondo um exercício de respeito e de real solidariedade ao próximo.

· Frases como ' eu sei o que é isso', 'entendo seu sofrimento', 'sei o que você está sentindo', não tem efeito algum. Ninguém sabe, ninguém entende o sofrimento do outro, por mais que já tenha passado por isso. Cada um sofre e sente a sua maneira. Evite.

· Não interprete os fatos e não tire lição de moral para dar ao outro. Evite usar 'poderia ter sido pior', 'pelo menos ele/a não sofreu'.

· Ofereça sua companhia a pessoa enlutada, mas não tenha a pretensão de acabar com seu sofrimento. Ela precisa superar a dor.

· Procure se informar sobre a religião da família. Por exemplo:

1. Flores - para os católicos é comum enviar flores; para os mulçumanos e espíritas o envio de flores não tem sentido algum. Os judeus não têm esse hábito, consideram inadequada a mistura de flores, que são vida, com a morte.

2. Condolências - os judeus não cumprimentam os enlutados no velório. Os mulçumanos só recebem depois de fechada a cova. Os japoneses e budistas cumprimentam em primeiro lugar o chefe da família, ou quem estiver em seu lugar.

3. Evangélicos - O velório é destinado ao bem-estar emocional e espiritual da família, o caixão pode ser deixado sozinho.

· Sempre compareça aos velórios. Não se engane, sua presença ou ausência vai ser notada. Caso não possa, envie um telegrama ou cartão.

· Por mais íntimo que você seja, procure comparecer ao velório, ao enterro e/ou à missa de 7º. Dia. Evite visitas em casa.

· Não fique o tempo todo lembrando a perda. Sempre que encontrar a pessoa enlutada cumprimente-a naturalmente, e demonstre sua alegria de tê-la por perto. Aja como gostaria que agissem com você.

· Lembre-se, principalmente nesse momento, seja discreto. Não tente aparecer a qualquer custo.Aproxime-se da família enlutada e um simples 'sinto muito' pode dizer muita coisa, principalmente se dito de coração.

 

Sites consultados:

http://veja.abril.com.br/260406/p_122.html

http://pt.wikipedia.org/wiki/Luto

http://www.orm.com.br/